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Canto de um povo
Em Dezembro/2004 o projeto Canto de um povo, fez um apanhado geral da música do povo da nossa terra, sem a intenção de ser completo.
No CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil - SP, uma mostra do grande valor artístico dessas belas vozes, que se fundem a tambores, chocalhos, violões e flautas, cantando o popular/erudito e a simplicidade das nossas raízes. Cânticos da alma brasileira.
Buscando ampla visão, mas diversificada, do que cantamos pelos "brasis" afora, tenta "revelar" algumas facetas deste Brasil tão rico e múltiplo, principalmente no que está ligado ao povo e suas tradições.
Coral Luther King

Maestro Martinho Lutero


Maestrina
Ouvir os integrantes do Coral Luther King é um momento único. Através da suas vozes, não se tem apenas um gênero contemplado. Do popular ao erudito, o grupo transita pelos mais diferentes estilos, bem ao gosto de seu criador, o maestro Martinho Lutero, que atualmente reside na Itália, onde construiu uma carreira de prestígio. Foi assim, eclético, que Lutero idealizou o coral, em 1970, pegando emprestado o próprio nome e o nome do líder negro pacifista, Martin Luther King, que morreu por seus ideais. O coral foi responsável por momentos memoráveis, como a execução de "Te Deum Laudamus", de Haendel, ao lado da Orquestra Jovem Municipal de São Paulo, a apresentação da ópera "Dido and Aeneas", de Henry Purcell ou ainda o espetáculo "Drummondiana", inspirado em textos de Drummond.
Formada por cantores, regentes e instrumentistas, esta comunidade propaga a música, sem descuidar das questões sociais. Ao longo dos anos, tornou-se também celeiro de talentos, uma espécie de centro de formação de artistas profissionais brasileiros, de onde já saíram nomes como o regente da Sinfonia Cultura Lutero Rodrigues, o trompetista Fábio Prado e o fagotista Luis Antonio, da Osesp, o ator Marcelo Picci, a cantora Laura Lovaco, entre outros.
No CCBB, eles receberam como convidado especial o instrumentista Ivan Vilela. "A diversidade musical é uma marca de Martinho Lutero, que ele mostra também no coral que tem na Itália, o Cantosospeso. Esse coral canta músicas brasileiras, como se seus integrantes fossem brasileiros; canta músicas africanas, como se fossem africanos. Cantam sem sotaque, tamanha dedicação deles", conta Vilela.

Violeiro de mão cheia e especialista em composição e regência, o instrumentista e arranjador Ivan Vilela já tocou com Lutero e seu coro italiano em algumas apresentações no exterior. Para o espetáculo em São Paulo, em companhia do Coral Luther King, ele planeja executar "ensaladas" (um gênero musical espanhol), canções indígenas e terá espaço ainda para dois solos. Violeiro mestre doutorado pela Unicamp, Vilela possui uma intensa atuação em outros países. Os críticos brasileiros não economizam elogios ao seu trabalho e à sua técnica: é considerado por eles um dos mais importantes artistas da MPB e da música erudita nacional.
Coral das Lavadeiras do Vale do Jequitinhonha
É mesmo de perder o fôlego.Conheça a música das lavadeiras.



Carlos Farias e o Coral




Composto por mulheres lavadeiras do Vale do Jequitinhonha, em Minas, o Coral das Lavadeiras de Almenara leva adiante um belo trabalho de resgate de antigas canções brasileiras, muitas delas já de domínio público, entre modinhas, batuques, cirandas, sambas, afoxés, além daquelas que remetem ao folclore do Vale do Jequitinhonha. Quem as ouve dificilmente não fica em estado de transe. Não terá ficado de outra maneira o cantor e pesquisador Carlos Farias que, vivendo naquela região de Minas, "descobriu" as lavadeiras a cantar. "Morei cerca de dez anos nessa região, meus pais moram lá e desde 1985, venho garimpando cantigas de domínio público. É um patrimônio que estamos perdendo." Farias presidiu a Casa de Cultura de Almenara, entre 1991 e 92. Foi quando fundou o Coral das Lavadeiras - percebeu que, enquanto as mulheres da lavanderia comunitária do Bairro São Pedro trabalhavam, cantavam lindamente.
Atualmente, a Associação das Lavadeiras conta com 39 mulheres, mas nem todas elas podem acompanhar o grupo nas viagens pelo Brasil, principalmente por Minas, e também no exterior. "O coral tem cerca de 9 cantoras, além de mais 5 músicos. Não dá para ultrapassar esse número, senão fica difícil pagar passagem, hospedagem, cachê", explica o pesquisador. "Nos nossos espetáculos, levamos canto, dança, teatro e contação de história".
Saulo Laranjeiras
A abertura da apresentação foi do cantor e compositor Saulo Laranjeira, convidado especial do Coral das Lavadeiras. "Já participamos do programa "Arrumação", que o Saulo apresenta na TV educativa de Minas", conta Farias. A afinidade entre músico e coral é evidente: a obra de Laranjeira é fortemente fincada no canto popular, na força regional e na identidade da cultura brasileira. Com dois CDs independentes no currículo, "Sal" (94) e "Fulô da Laranjeira Vol. 1" (98), suas composições imprimem, de forma sensível e lírica, manifestações do povo brasileiro.
Coral Tenondê Porã - Ñande Reko Arandu




Cacique Timóteo
O Coral Tenondê Porã é composto por crianças da Aldeia do mesmo nome, com idades entre 8 e 12 anos, que desenvolvem um trabalho de resgate de canções e danças da tradição Guarani. Os ensinamentos, passados pelos mais velhos, atravessam gerações e gerações. Nas apresentações, eles são acompanhados por cinco músicos Guaranis, que tocam violino, violão, tambor e instrumentos tradicionais indígenas (mbarakã miri e Yvyrá parã). Em atividade desde 98, o coral foi criado como parte integrante do projeto Memória Viva Guarani e conquistou platéias, rendendo inclusive a gravação de um CD, com 13 cantos, em Guarani, no qual falam de lendas, orações e saudações à divindades.


Cada vez mais, eles querem que sua música ganhe força, para que seus objetivos fiquem mais próximos de serem alcançados. Querem que as autoridades valorizem a cultura, que se tornem cada vez mais independentes da cultura branca e próxima da cultura indígena. Para chamar a atenção - de autoridades, dos brancos, do público enfim -, trazem no repertório belas canções, sobre natureza, sobre crenças, sobre o povo Guarani, como: Guyrámi (Os Pássaros); "Nhande Ru Papa" (Deus Primeiro), "Nhamandu Tenondê" (O Sol), entre outras. "Eles fazem um trabalho belíssimo", aprova a cantora e violonista Marlui Miranda, uma conhecedora, como poucas, da música indígena brasileira.


Marlui Miranda, doce e querida
Marlui Miranda é a convidada especial do Coral Tenondê Porã. Apesar de não cantar guarani, ela garante que vai se preparar para acompanhá-los em algumas canções. "Se eles concordarem, vou fazer adaptação de alguns arranjos, cantar alguma música", antecipa. São quase 30 anos de vida dedicados a estudos e convivência com diversas tribos. Um dos resultados de suas intensas pesquisas foi o CD "Trilha a Xe anama", que agrupa um repertório de cantos indígenas das mais variadas etnias do Brasil, reinterpretados dentro de um universo mais contemporâneo. "Divulgo a cultura e as idéias indígenas e, indiretamente, influenciei o aparecimento de outros projetos ligados aos índios", diz Marlui. "Quando comecei, era uma idéia utópica, tocar e cantar música indígena. Mas foi como uma luz, tive uma visão, baseada na minha intuição, e fui vislumbrando esse universo. São muitos anos de pesquisas, de produção, e atualmente, a base das pesquisas está cada vez mais se aprofundando".

Marlui Miranda
e a preservação e recriação da música indígena brasileira,
CCBB Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Alvares Penteado, 112 - Centro
São Paulo - SP
Informações: (11) 3113 3651 e 3113 3652
próximo às Estações Sé e São Bento do Metrô
Terças Musicais às 13h e 19h30
07.12 - Coral Luther King sob regência do maestro Martinho Lutero (Itália) convidado Ivan Vilela
14.12 - Carlos Farias e o Coral das Lavadeiras convidado Saulo Laranjeira
21.12 - Coral Tenodê Porã - Guarani e convidada Marlui Miranda
Ficha Técnica
Diretor artístico - Ricardo Vignini Produção Executiva e Fotos - Marinéa Mochizuki Assistentes de Produção - Fabiana Mota e Sonia Maria de Mello Assessoria de Imprensa - Rossi Comunicação Sonorização - André Ferraz Iluminação - Aline Santini e Ana Eliza Equipe de Imagem - Patrick Nicholas Korb Artista Gráfico - Sebastião de Carvalho Ilustração - André Davino
Apoio - Hotéis Othon
I nformações: (11) 3113 3651 e 3113 3652
próximo às Estações Sé e São Bento do Metrô
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Evento 2008
Mulheres do Sol
IV Festival Estação Viola - Mostra da Música Internacional de Viola
Evento 2007
O Brasil Caboclo de Cornélio Pires
Festival Estação Viola
Viola Bem Temperada
Evento 2006
Do Velho Chico ao Mississipi
Evento 2005
Comitiva Esperança
Serra do Mar, Minha terra
Banda Redonda
Evento 2004
Canto de um povo
Eventos 2003
II Instrumental Pés no Chão
Divina Corte do Divino
Raizes Universais
Viola Turbinada
Turnê Bob Brozman
Theatro São Pedro
Eventos 2002
Mostra de Música Tradicional de São Paulo
Festival Viva São Gonçalo
Viola sem Fronteira
Sarau Paulista de Viola
Via Roça afina a viola e aquece os tambores
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