Banco do Brasil apresenta e patrocina
O Brasil Caboclo de Cornélio Pires
CCBB-São Paulo - Centro Cultural Banco do Brasil
CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 - Centro SP
Informações: (11) 3113 -3651 e (11) 3113-3652
Próximo às Estações Sé e São Bento do Metrô
Ingressos para shows musicais: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia entrada)
Todas às terças-feiras - 13h e 19h30
bb.com.br/cultura
Programação São Paulo
05 de junho - Índio Cachoeira e Cuitelinho e Carreiro e Carreirinho
12 de junho - Liu e Léo
19 de junho - As Galvão
26 de junho - Pedro Bento e Zé da Estrada
03 de julho - João Mulato e João Carvalho/ Jacó e Jacozito;
10 de julho - Cacique e Pajé/ Zé Mulato e Cassiano
17 de julho - Oliveira e Olivaldo/ Os Favoritos da Catira
Releases
Apresentador - Passoca
PASSOCA é um dos únicos violeiros de origem cosmopolita.
Nascido em Santos/SP, acredita que para se tocar viola não é preciso ter nascido no campo, na roça, no sertão, basta sensibilidade .
Autodidata, aprendeu a tocar observando os violeiros mais experientes e ouvindo as histórias que contavam sobre o instrumento.
Sua música contém a dualidade cidade/campo, a poética urbana sobre um suporte harmônico de viola caipira, sua composição SONORA GAROA é um bom exemplo.
Já se apresentou em várias regiões brasileiras e também no exterior (França, Itália e Alemanha) rompendo as fronteiras com a viola.
Neste projeto, Passoca encarna o pioneiro Cornélio Pires
Índio Cachoeira e Cuitelinho
"Carinho, mulher e viola nasceram pra combinar" garante o artista caboclo. Só podemos concordar com Índio Cachoeira e Cuitelinho, essa dupla raiz de ipê, de aroeira, de peroba. Dupla de vozes casadas, viola e violão parceiros, integrados, sonoridade harmoniosa. Seja nos pagodes de viola, no cururu, no recortado, na moda-de-viola, as letras são positivas, repletas de esperança, de ensinamentos sobre a alegria e a felicidade. Palavras de homem amante, tranqüilo de seu desejo, sem o ranço da traição e do despeito. Palavras de amor à terra, à vida na roça, à Natureza, sempre do ponto de vista do caboclo produtivo e inteiro como o touro e o garanhão. A viola soa firme e tranqüila, certeira, absoluta, competente, canora, rindo a alegria da vida, enaltecendo o Brasil Caboclo; é dedilhada com os segredos das mãos do mestre que mostra sua fibra de campeão bem traquejado. Viola profunda de onde as modas saem bem cantadas nas mais lindas melodias. Índio Cachoeira e Cuitelinho, dupla raiz de pau-brasil!
Carreiro e Carreirinho
"Boi pasteja, boiadeiro queima o alho". É conceito de bondade, sossego, força, trabalho e doação, o boi. É impulsor de gente, a quem dedica sacrifício, inclusive o de conceder as carnes, os ossos, o couro e o mugido, arremedado no berrante feito das guampas.
É montaria calma sem cobrança da indisposição e fadiga; é ajuda com doçura e desapego." Romildo Sant'Anna ensina isso do boi. Carreiro e Carreirinho tocam o carro principal da música raiz sertaneja. Emblemas do meu sertão. Solicite "Canoeiro", "O Rei dos Canoeiros'" "Caçador", nesta ordem. E experimente, ao vivo, o que significa felicidade. De sobremesa "Ferreirinha" pra sacramentar a delícia!
Liu e Léu
Ainda jovens, aproximando dos 20 anos de idade, seu Gabriel, pai de ambos, deixou a vida dura da lavoura. Foi aí então que os dois irmãos decidiram ir para a capital de São Paulo para tentar emprego em alguma fábrica.
Como não esqueciam da música, foram no aniversário do programa "Brasil Caboclo" na Rádio Bandeirantes.
Após a transmissão do programa no ar, a festa continuou no auditório. Seus irmãos Zico e Zeca e os primos Vieira e Vieirinha, nessa época, já eram duplas famosas.
Radialistas como Biguá, Zacharias Mourão, Capitão Balduíno e outros já conhecidos dos irmãos, pediram para que eles cantassem.
Pegando emprestados viola e violão, cantaram "Meu Ranchinho".
De agrado geral, marcou-se ali mesmo a estréia. Compraram os instrumentos e escolheram os nomes. O Lincoln já era apelidado por "Liu" e aí foi só acrescentar "Léu" para o Walter.
Em 1978 Liu e Léu, criaram o selo Tocantins onde lançaram vários artístas, e a própria dupla, destacando neste período os sucessos como: Sementinha, Mãe de Carvão, O Ipê e o Prisioneiro, Jeitão de Caboclo, Ano 2000 e outros mais.
Ao longo da carreira permanecem destaques, Rei do Café, Boiadeiro Errante, Adeus Minha Terra, Rainha do Paraná, Caminheiro, Dona Saudade, Aonde Eu Moro, e outros.
As Galvão
No tempo em que eram irmãs, As Galvão formavam uma dupla; depois, com a inclusão do maestro-violeiro Mário Campanha, transformou-se num trio e agora já é uma família que toca, canta e dança, junto e gostosamente. Dezenas de discos gravados e com todos os prêmios conquistados, elas são referência obrigatória no universo da música caipira, a qual fazem questão de defender incontinentemente. Mari e Marilene apresentam sempre um espetáculo refinado, orgânico, cheio de alegrias, de causos saborosos e,claro, de música muito boa. Certamente porque elas seguem o tema "através do amor modificaremos o mundo".
Pedro Bento e Zé da Estrada
Pedro Bento e Zé da Estrada são nomes de boiadeiros, desses que viajam por todo o sertão do Brasil com a viola no peito, tocando o berrante, chamando a boiada, cantando as notícias de cá e de lá, informando e divertindo o povo rural trabalhador.
Pedro Bento e Zé da Estrada é dupla sertaneja composta por monstros sagrados da indústria cultural, artistas completos, resultado de numerosos e intensos sucessos em discos, shows e programas radiofônicos. E ao acrescentar características mexicanas em sua música desde a década de 1950, apresentaram ao povo os mariachis, os tololochos, os chapelões e roupas coloridas, os naipes de sopros e uma infinidade de belas canções que povoam a memória do homem rural até hoje.
Uma ponta da cultura latino-americana, tão perto e tão longe, na nossa vida cotidiana. Exímios cantadores, apaixonados, elegantes, divertidos, linha de frente, tornaram-se a expressão correta do valor da Música Caipira no mercado fonográfico: sucesso absoluto, desde que Cornélio Pires inventou de produzir a Série Vermelha. Pedro Bento e Zé da Estrada sempre foram, e são, moda. De viola!
João Mulato e João Carvalho
João Mulato, nascido em Passos MG, e criado em Araçatuba SP, trabalhava em fazenda e nas horas vagas participava de folia de reis, catira, roda de violeiros e ouvindo as modas de viola, cateretês e Pagode e outros ritmos da musica raiz que acendeu sua grande paixão pela música sertaneja.
Ótimo violeiro, vez dupla com Bambico. Gravaram com o nome de João Mulato e Douradinho, dois LP's "Saudade de Um amor Passado" e "Meu Reino Encantado".Bambico, veio a falecer, logo após esta gravação.
Neste ano de 2006, vem mais uma surpresa para seus milhares de fãs, a formação da dupla "João Mulato e João Carvalho".
O novo projeto está sendo elaborado, para lançamento do primeiro CD, com repertório inédito e escolhido com muito critério, pois João Mulato e João Carvalho possui uma vasta bagagem profissional, uma experiência adquirida ao longo dos anos, sabendo o que o apreciador da música sertaneja gosta de ouvir. Um belíssimo estilo que está sendo representado por uma dupla de muita qualidade.
Cacique e Pajé
Os integrantes da dupla não são Índios, apesar da indumentária e também do distante parentesco que possuem com a Tribo dos Caiapós de Rondonópolis-MT.
E foi no ano de 1978, que nasceu a dupla chamada "Cacique e Pajé, ocasião na qual gravaram um LP pela Chantecler (hoje Warner Music) com destaque para "Pescador e Catireiro" (Cacique - Carreirinho). No mesmo ano, participaram juntamente com Sérgio Reis e a Orquestra de Violeiros de Osasco do histórico show promovido por Tonico e Tinoco no Teatro Municipal de São Paulo-SP, o qual também deu origem ao livro "Da Beira da Tuia ao Teatro Municipal".
Em 1979, fizeram sucesso com "Caçando e Pescando" (Cacique - Tangará) e "Deixa o Índio em Paz" (Cacique - Capitão Furtado). E, na década de 1980, lançaram mais 5 LPs, destacando-se, dentre outras, "Viola no Samba" (Rei do Mar - Cacique), "Poemas das Cordas" (Paulo Gaúcho - Zé Raimundo), "Cadê o Gato" (Cacique - Pajé) e "As Flores e os Animais" (Paraíso - José Fortuna).
Jacó e Jacozito
Mais família na viola! Pedro Jacob, pai e Pedro Rafael Jacob, filho, formam a dupla Jacó e Jacozito, versão atualizada da histórica dupla Jacó e Jacozinho, que fez bastante sucesso, principalmente na década de 1960, notabilizando-se com uma vocalização não tradicional, com dissonâncias e mudanças de tonalidade. Com um repertório atual mesclado a antigos sucessos, esses cantadores continuam valorizando a música caipira de raiz ao se apresentar em palcos e programas de televisão e rádio de todo o país.
Zé Mulato e Cassiano
O irmão mais velho já é grande, o irmão mais novo tem quase um palmo de diferença. Mas olhando assim pareio a gente vê a imensidão das alturas de Zé Mulato e Cassiano, dupla persistente da cultura raiz, militantes sistemáticos em defesa da música rural brasileira.
São eles que fazem Brasília ser a capital do sertão, terreiro fundamental da nação cabocla, alto-falante primordial da caipirada sonora. São eles que cantam toda espécie de moda aviolada, sempre afinando crítica social e de costumes com o bom humor da picardia e do senso agudo de observação. São eles que não abrem mão da autenticidade e por isso recolhem prêmios e a admiração do público, a cada disco gravado. Viola e violão, cabeça e coração, amor e paixão. O violeiro caipira vai muito bem, obrigado!
Oliveira e Olivaldo
Oliveira e Olivaldo fazem uma dupla apolínea, familiar, delicada, tranqüila nas suas folias de reis, nas catiras, modas-de-viola, nas letras calmas, acertadas, cheias de interioridade. E se são ligados ao divino, podem os, seguindo a extensão concedida pela música popular brasileira, aportá-los no maravilhoso.
Combinam suas vozes na mais legítima tradição paulista, caipira com sotaque carregando no erre retroflexo, que gastam sem parcimônia para ajaezar a viola econômica e maneira. São parceiros da folia Os Mensageiros dos Santos Reis e do grupo Favoritos da Catira, que lideram com empenho e dedicação. Gostam de apresentar um cateretê comovente que homenageia o violeiro Zé Carreiro, seu parceiro Carreirinho e suas modas mais famosas.
Os Favoritos da Catira
Palmas, sapateados, bailados, coreografias, figurinos. Tudo de encanto, de ritmo, de graça, de originalidade, de beleza em movimento. São tão favoritos quanto presentes nas catiradas de todas as festas, eventos, rodeios, espetáculos e programas de televisão do mundo sertanejo. Enfeitam novelas e também espetáculos de diversos cantadores e violeiros. Um sucesso que já se estende pela terceira década, especialidade de um grupo composto por seis homens e oito mulheres. Elas mandam muito bem e criam uma sinergia diferenciada, que ressalta a competência. São Os Favoritos da Catira, gente que dança a vontade gostosa de viver.
Ficha Técnica
Curador/Diretor Artístico: Ricardo Vignini
Produção Executiva: Marinéa Mochizuki Brasil Festeiro Produções Assistentes de Produção: Rosemari Salomão
Cenógrafos: Marinéa Mochizuki, Sebastião A. B. de Carvalho (Caverna)
Apresentador: Marco Antonio Vilalba - Passoca
Redator: Reinaldo Volpato
Artista Gráfico: Sebastião A. B. de Carvalho (Caverna)
Sonorização: André Ferraz
Iluminação: Alini Santini
Filmagem: Reinaldo Volpato Taus Produções Audiovisuais
Assessoria de Imprensa: Valéria Rossi
Banco do Brasil apresenta e patrocina
O Brasil Caboclo de Cornélio Pires
Junho a Julho de 2007
Terças Musicas
às 13h e 19h30

CAIPIRA MULTIMÍDIA
Costumo comentar que Cornélio já era um artista multimídia lá no começo do século XX. Escreveu dezenas de livros, produziu filmes, apresentações teatrais e circenses, realizou turnês por todo o Brasil e foi o pioneiro do disco independente em 1929, com seus 78 rpm bancados do seu próprio bolso.
Se não fosse Cornélio Pires, talvez nem conhecêssemos a viola em disco, como aconteceu com a viola braguesa, campaniça e outros instrumentos portugueses que quase não existem mais, porque tornaram-se de uso exclusivamente na música folclórica, não chegando ao grande público como aconteceu no Brasil.
As duplas que se apresentam aqui em “O Brasil Caboclo de Cornélio Pires” já venderam milhões de discos e CDs. E vendem até hoje, muito. A maioria também já passou das várias dezenas de álbuns lançados, tendo iniciado carreira gravando nos discos de 78 rpm, passando pelo long-play, CDs, DVDs e chegando firme ao MP3. São as mais importantes duplas em ação e, certamente, os últimos representantes dessa música tão genuína.
Se nas décadas passadas, na seara sertaneja, pudemos constatar o grande sucesso das “duplas românticas” é importante deixar claro que elas não existiriam se não fosse a audácia de Cornélio Pires que, com sua turma, revolucionou a cultura brasileira, com destaque para a nossa cultura caipira.
Fico muito feliz em poder realizar mais esse projeto de grande importância contando com o apoio do Centro Cultural Banco do Brasil. E será muito bom se o público puder curtir com intensidade esses espetáculos que, afinal, foram produzidos com grande carinho.
Ricardo Vignini
Violeiro e curador
A história
CORNÉLIO PIRES - O CAIPIRA ILUMINADO
Para todo o povo que vivencia e ama a cultura caipira de raiz seria uma obrigação, se não fosse um enorme prazer, conhecer a fi gura carismática de Cornélio Pires. Pioneiro na criação, produção e comercialização da música sertaneja frente à indústria fonográfica, foi cúmplice e incentivador de muita dupla que se profissionalizou, dando início a uma vertente musical que até hoje tem representação expressiva na cultura brasileira e no mercado consumidor. Por ser amante da moda de viola, por ser ativo dentro e fora dos palcos de todo o Brasil, por seu espírito criativo e empreendedor, por seu caráter agregador de forças e interesses, além de líder nato e admirado, Cornélio Pires se revela para a história como um homem alegre, dinâmico, comunicativo e, principalmente, brilhante. Foi através dele que iniciamos, nós, os brasileiros, a tarefa imprescindível de entender e apontar as grandezas da alma do povo caipira, seu cotidiano afetivo, as qualidades de sua cultura que, sonhadora e emocionada, descreve um povo determinado a viver uma história de sucessos. E, nesta lida civilizatória, é fundamental proporcionar visibilidade a personagens emblemáticas desta cultura viva e potente. Por isso ressaltamos a figura exuberante de Cornélio Pires, o caipira iluminado.

Foto histórica de 1929, vendo-se da esquerda para a direita, em pé: Ferrinho, empunhando a "puíta", Sebastião Ortiz de Camargo (Sebastiãozinho), Caçula, Arlindo Santana; sentados: Mariano, Cornélio Pires e Zico Dias.
Cornélio foi um aprendiz da vida, do dia e da noite, mas se qualificou como jornalista, escritor, poeta e folclorista, sempre apaixonado pela civilização do povo rural. Já em 1910, ficou conhecido por ter encenado na Universidade Mackenzie de São Paulo um "velório caipira", apresentando catireiros, cantadores e dançadores autênticos, seguido de uma palestra sobre o significado cultural dos mutirões, um evento inédito e provocador. Pouca gente até hoje sabe que os mutirões rurais eram reuniões dos roceiros com o intuito de se ajudarem nos trabalhos de preparação da terra para o plantio ou na colheita; esses trabalhos eram realizados ao som das cantorias de músicas específicas e, no final do dia, festejados com comida, mais cantoria de viola e dança.

Em 1914 começou a promover as famosas "Conferências Caipiras Cornélio Pires", apresentando sempre artistas de modas avioladas, sendo, claro, o grande incentivador de inúmeras duplas de cantadores que fizeram a história iniciática da Música Caipira de Raízes, como Caçula e Sorocabinha, Zico e Ferrinho, Raul Torres e Serrinha. Sua realização mais importante foi ter sido o responsável pelas primeiras gravações em discos dessas modas, na Gravadora Colúmbia, discos de rótulos vermelhos, a série 20.000, que foi o marco divisor da música do campo Antes, para o disco, ela era composta por citadinos eruditos e apenas inspirada em motivos sertanejos. A "Serie Cornélio Pires", também conhecida como a famosíssima "Série Vermelha", significou um retrato sem retoque da gente da roça. Para que o fenômeno acontecesse, ele custeou todas as despesas de produção, trazendo de Piracicaba para a Capital sua primeira turma caipira e comprando, ele próprio, todos os discos. Vendia-os em locais onde realizava suas palestras. Foram cerca de 50 discos gravados entre 1929 e 1931, sendo que alguns atingiram a vendagem de 20.000 exemplares. O primeiro disco continha, no lado B, "Jorginho do Sertão", de sua autoria e no lado A o registro de "Como cantam algumas aves, imitações de aves", um primeiro esforço de valorização de nossa ecologia. Cornélio decidiu viajar pelo interior do estado de São Paulo e outros estados, inclusive os do nordeste, estreando na condição de apresentador e caipira humorista, ao organizar o "Teatro Ambulante Gratuito Cornélio Pires", que itinerou de cidade em cidade com grande sucesso, tornando-o admirado por toda a população brasileira. Ousamos imaginar a possibilidade de ter sido Cornélio Pires o iniciador das turnês musicais pelo Brasil afora, praticadas até hoje pela indústria cultural.
Cornélio Pires foi ainda um incansável escritor. Pelos títulos de sua vasta bibliografia, podemos compreender seu amor e respeito pelos habitantes dos sertões e sua cultura: "Musa Caipira", "Versos Velhos", "Cenas e Paisagens de Minha Terra", "Quem conta um Conto", "Conversas ao Pé do Fogo", "Estrambóticas Aventuras de Joaquim Bentinho, o Queima Campo", "Tragédia Cabocla", "Patacoadas", "Seleta Caipira", "Almanaque do Saci", "Sambas e Cateretês", "Só Rindo", "Tá no Bocó" ... e Outros Contos", "Enciclopédia de Anedotas e Curiosidades", entre tantos outros. É uma produção polêmica, destinada, sem dúvida, a popularizar e valorizar o trabalhador rural e seu cotidiano, sistematicamente ridicularizado pelas elites de um sistema social que se urbanizou na primeira metade do século XX. Um sistema preconceituoso que contou com os serviços de um intelectual do porte de Monteiro Lobato, autor de equivocado artigo depreciativo do homem caipira, "Velha Praga", publicado no jornal O Estado de São Paulo e incluído na segunda edição de "Urupês" (1918), do qual veio a se arrepender mais tarde, pedindo publicamente perdão para seu equivocado personagem, o Jeca Tatu. Um engano que se disseminou por todo o país nas ondas radiofônicas dos reclames do fortificante Biotônico Fontoura e do vermífugo Ankilostomina, além de nas ilustrações dos Almanaques Biotônico onde Lobato, com pretenso caráter educativo, relatava a fábula do Jeca Tatuzinho, um caipirinha doente e destrambelhado. O almanaque teve 90 milhões de exemplares impressos em cerca de 50 edições, distribuídos para uma população que somente 50 anos depois viria a ter 90 milhões de habitantes. O diminutivo Tatuzinho tinha a finalidade de cativar o público infantil, já que o almanaque era distribuído nas portas dos grupos escolares e adotados pelas professoras da época. Este personagem é a síntese de um preconceito criado por distorcidas e constantes análises engendradas desde os tempos das viagens do botânico francês Auguste de Saint-Hilaire pelo interior do Brasil (1819 e 1822), até as décadas de 1950-60-70 com a jocosa produção cinematográfica de Amâncio Mazzaropi entre outros produtos estereotipados da indústria cultural. A população brasileira, a despeito do grande sucesso de público conquistado pelo Mundo Caipira, alimenta ainda hoje um sentimento de rejeição pelo cidadão agricultor, o qual necessita ser revisto com urgência.
Cornélio Pires nasceu em 13 de julho de 1884 em Tietê, interior de São Paulo, e viveu até 1958. Nos últimos anos de sua existência, em viagens ao exterior, experienciou vários fenômenos mediúnicos, o que o levou a aderir ao Espiritismo. Publicou uma série de livros sobre a Doutrina Espírita além de várias fotografias sobre materialização de espíritos desencarnados. Teve inclusive livros psicografados pelo prestigiado médium Francisco Cândido Xavier. Esta particularidade confere ao personagem Cornélio Pires um interessante traço em sua personalidade questionadora e vivaz.
Em sua vida, Cornélio passou pela virada do século XIX para o XX, por duas Guerras Mundiais, por várias revoluções políticas, pela contundente crise de 1929 quando foram erradicados os cafezais paulistas com o conseqüente êxodo rural, pela ditadura e pelo populismo de Getúlio Vargas, teve ativa participação na famosa Semana de Arte Moderna de 22, foi íntimo de grandes intelectuais brasileiros como Mário de Andrade, Sílvio Romero, Martins Fontes. Tornou-se um personagem exuberante que merece a atenção generosa do público brasileiro e, porque não, mundial.
Reinaldo Volpato
Cineasta e corda de viola
Este texto faz parte do projeto de filme de longa metragem "Um caipira Iluminado", uma realização da Taus Produções Audiovisuais. E é baseado, entre outros, no livro "A Moda é Viola - Ensaio do Cantar Caipira" de Romildo Sant'Anna.
Aconteceu em Abril/2007
Programação
Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
SCES, Trecho 02, lote 22 - CEP 70200-002
Funcionamento: De terça-feira a domingo das 10h às 21h.
Informações pelo telefone: (61) 3310-7087
03, 04 e 05 - As Galvão/ Zé Mulato e Cassiano
10, 11 e 12 - Jacó e Jacozito/ Carreiro e Carreirinho
17, 18 e 19 - Índio Cachoeira e Cuitelinho/Pedro Bento e Zé da Estrada
24, 25 e 26 - Oliveira e Olivaldo/ Os Favoritos da Catira
Ficha Técnica
Diretor Artístico eCuradoria - Ricardo Vignini
Produção Executiva - Marinéa Mochizuki - Brasil Festeiro Produções
Assistente de Produção - Rosemari Salomão
Apresentador - Passoca
Assessoria de Imprensa - Rodrigo Machado
Sonorização - Matrix Sonorização
Iluminação e Filmagem - Dalton Carmargos
Projeto Gráfico - Sebastião A.B. de Carvalho - Caverna
Ilustração - André Savério Davino e Sebastião - Caverna
Cenógrafo - Marinéa Mochizuki e Sebastião - Caverna
Textos - Reinaldo Volpato - Taus Filme Produções Audiovisuais
Agradecimentos - Quality Resort Lakeside
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Evento 2008
Mulheres do Sol
IV Festival Estação Viola - Mostra da Música Internacional de Viola
Evento 2007
O Brasil Caboclo de Cornélio Pires
Festival Estação Viola
Viola Bem Temperada
Evento 2006
Do Velho Chico ao Mississipi
Evento 2005
Comitiva Esperança
Serra do Mar, Minha terra
Banda Redonda
Evento 2004
Canto de um povo
Eventos 2003
II Instrumental Pés no Chão
Divina Corte do Divino
Raizes Universais
Viola Turbinada
Turnê Bob Brozman
Theatro São Pedro
Eventos 2002
Mostra de Música Tradicional de São Paulo
Festival Viva São Gonçalo
Viola sem Fronteira
Sarau Paulista de Viola
Via Roça afina a viola e aquece os tambores
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