Orquestra Filarmônica de Violas - Campinas
Criada há dois anos, a Orquestra Filarmônica de Violas tem cumprido seu objetivo de levar ao público toda a riqueza do universo caipira, através de sua manifestação mais singela: a música. Contando com um grupo composto, exclusivamente por violeiros, os arranjos musicais diferenciados trabalham com a divisão da orquestra em vários naipes, cada qual executando um desenho musical distinto. A somatória destes desenhos resulta numa verdadeira sinfonia com riqueza de nuances, dando dimensão espacial aos temas, por mais simples que sejam. Esta particularidade, somada a um repertório que extrapola o universo caipira, incluindo clássicos da música nordestina passando pela genialidade de um Tom Jobim, fazem do trabalho deste grupo, único no Brasil e, por consequência, no mundo.
A Orquestra Filarmônica de Violas concretiza o sonho de todas as pessoas que saíram do interior e vieram para os grandes centros: viver numa cidade grande sem perder suas raízes, sem esquecer seus sonhos. Sob a regência do músico Ivan Vilela, este sonho tomou forma, agregou pessoas das mais diferentes classes sociais e culturais e concretizou-se em um trabalho de pesquisa musical rico e único.
Atualmente Orquestra Filarmônica de Violas conta, em média, com 300 cordas afinadas com a essência da música mais autêntica do cancioneiro popular. Foram várias apresentações em Campinas, outras tantas fora da cidade. Com agenda até dezembro de 2003, a Orquestra tem cruzado o interior de São Paulo e Sul de Minas Gerais, divulgando seu trabalho e conquistando um público fiel. As participações nos Programas Célia & Celma (Canal Rural), Viola Minha Viola (TV Cultura) e um documentário realizado em dezembro de 2002 pela TV PUC (canal 25), foram importantes na divulgação do trabalho do grupo que tem recebido convites para se apresentar em vários Estados do País.
A Orquestra
Nestes dois anos de trabalho, a Orquestra Filarmônica de Violas já possui um repertório de dezenas de músicas, em sua maioria clássicos do cancioneiro popular. A viola, aliás, é o único instrumento que compõe a Orquestra. O estilo de arranjo e execução das peças musicais é completamente inovador e diferente dos mais diversos trabalhos que outras orquestras do gênero realizam. A idéia central é trabalhar com os diferentes naipes de uma orquestra convencional. Ou seja, os violeiros são divididos em grupos que executam temas distintos seja de base, percussão ou solo. O conjunto final é harmonioso e extremamente elaborado. "Chalana", de Mario Zan, por exemplo, um clássico que integra o repertório, deixa de ser uma simples guarânia, e ganha dimensão espacial ao introduzir experimentações sonoras que reproduzem o funcionamento dos motores destas prosaicas embarcações que cortam o Pantanal mato-grossense. A riqueza dos arranjos e a forma coesa de sua execução têm levado a crítica a aclamar a Orquestra Filarmônica de Violas como a mais surpreendente e reveladora orquestra de viola caipira do País.
A linha de concepção dos arranjos da orquestra vem da experiência de Ivan Vilela, mineiro de Itajubá, mestre em composição e regência pela Unicamp e um dos mais importantes violeiros do País. Apesar da maioria das músicas contar com a participação da totalidade da orquestra, há números executados por grupos menores de músicos, como o trio Carapiá e alguns solos especiais, como os do virtuose Vinicius Alves, bem como vocais e declamações.
O Show
O primeiro espetáculo da Orquestra aconteceu em dezembro de 2001, em Campinas. De lá para cá já foram realizadas inúmeras apresentações na cidade de Campinas e também em outras cidades da região, incluindo a gravação do Especial de Natal do programa “Célia & Celma”, exibido no final de dezembro de 2001 pelo Canal Rural e a participação no “Viola Minha Viola” em março de 2002. A repercussão do programa Viola Minha Viola foi tão grande que a Orquestra foi convidada a fazer uma nova apresentação no programa.
O espetáculo, que já foi visto diretamente por mais de 50 mil pessoas, tem cerca de 1h40, onde são executados grandes clássicos da música caipira, num passeio espetacular através da história da música sertaneja no Brasil. A apresentação é permeada por "causos", poemas e uma breve estória da vinda da viola de Portugal para o Brasil, até os dias de hoje. Há também uma verdadeira aula de cultura caipira, onde Ivan Vilela, que também é pesquisador do tema, expõe fatos históricos que mostram a riqueza da formação desta cultura genuinamente brasileira. Fatos como a origem do linguajar caipira que remonta ao Nheengatu, a língua falada durante os três primeiros séculos da colonização brasileira.
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