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Coincidência ou não Zé Gomes começou sua vida artística tocando na década de 50, no grupo tradicionalista "Os Gaudérios" ao lado de Moraes Filho, Jarbas Cabral e do acordeonista Neneco. Sua marca revolucionária apareceria nos ousados arranjos que criava, desafiando os conceitos da época.
Dono de formação erudita - tocava Beethoven, Bach, Chopin - jamais procurou rótulos para sua música. Ao contrário, o dial de seu rádio buscava ansiosamente as emissoras argentinas e seu alvo preferido era um instrumentista desconhecido que tocava música criolla com o toque mágico da modernidade. Seu nome Astor Piazzolla. Entre os brasileiros, Jacó do Bandolim e Villa-Lobos eram os seus preferidos. "Nunca me deixei prender por certos pensamentos. Devemos exercitar nossa liberdade", é uma frase que define o espírito inquieto do músico gaúcho, que logo deixou Ijuí para trás e veio para a capital. Em Porto Alegre, ingressou na OSPA e tocava Vivaldi com a Orquestra de Câmara da Escola de Artes. A principal característica sempre mantida: não perder de vista a universalidade das harmonias. O arranjo feito para o clássico regionalista "Os homens de preto" se ouvida hoje, passa a sensação de ter sido gravada ontem, soa atual, nova, renovada, ousada para a época. Com "Os Gaudérios", ficou oito anos, depois procurou conhecer o Brasil. O interior do Brasil.
Suas aparições públicas passaram a ser escondidas no palco, como coadjuvante de grandes e consagrados nomes da MPB. "Teve um período em que eu só queria ajudar, participar, não queria nada com o sucesso, ser estrela. Preferia trabalhar em "off", lembra. Mas, nunca quis ser revolucionário, representar algo que, depois de viver muito, não significa quase nada. "O importante é realizar o trabalho". A insistência dos amigos obrigaram Zé Gomes a mostrar suas composições fora dos circuitos formados por eles.
A experiência acumulada de anos, conhecendo, vivendo e respirando o pó da estrada, foi a base para seu primeiro CD "Palavras querem dizer". Disco único, revelador em todos os sentidos. Nele a vivência de Zé Gomes e suas descobertas sonoras, intrincadas combinações, fizeram do instrumental de Palavras...um trabalho raro. Instrumentos como a rabeca de três cordas e a milenar viola de cocho, muito tocada à beira do Rio Cuiabá, formaram sua base: a riqueza da música brasileira.
Aquela que nasce com o sol, percorre os rios, habita o Pantanal e marca definitivamente os limites entre o comercial e o atemporal. O intrigante nome do disco instrumental sugeriu várias interpretações. A melhor definição é a do próprio compositor: "A música está mais perto do sentido que a palavra". Disse em entrevista, quando lançava o CD ao final de setembro de l995. Afinal, tocar anos ao lado de Almir Sater, Dércio Marques e Renato Teixeira fez com que as terras brasileiras se entranhassem em sua música.
Passados quase três anos, o gaúcho, continua o mesmo perseguidor de sonoridades raras, seu segundo CD, "A idade dos homens", é uma linha sutil entre o atual, o folclore que ainda conhecemos e o de um passado desconhecido. Diferente de Palavras... A Idade...tem o braço do parceiro André Gomes, mesclando diversas regiões, respeitando suas respectivas culturas. Denominado por ele como "Colonização cultural de consumo", os toques harmônicos estão em perfeita combinação. Inspiradas, todas as composições têm o somatório das suas experiências pelo mundo e ingressam em outro universo, o místico.
Discografia

Rabecas/2002/2003
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Tempos Interiores
2000 |
A Idade dos Homens
1997/1998 |
Palavras Querem Dizer
1995 (2001) |

Zé Gomes e Almir Sater

Zé Gomes e Yamandú Costa

Zé Gomes e Renato Teixeira

Zé Gomes no Festival de MIDEM - França (1998) com Daniel Gomes, André Gomes e Alexandre Fonseca

Zé Gomes, Diana Pequeno e o Grupo "Cheiro de Vida"

Zé Gomes e o filho Daniel Gomes
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