As músicas que compõem este repertório certamente dariam boas trilhas para filmes épicos, de suspense, ou místicos, como sugerem os próprios títulos "Invasáo dos Monges", "Espada de Anjo" ou "Taquará", que é o nome dado `a flauta e ritual dos índios Xingú para espantar os maus espíritos.
Num toque quase místico, surge a sonoridade da "craviola" um instrumento criado pelo violonista Paulinho Nogueira, cuja afinação reporta tanto a viola caipira, como nordestina, saltando para escalas orientais, evocando sons de çítaras, alaudes. Em contraponto, vem a "percussão vocal", a arte de explorar recursos vocais e percussão corporal, buscando criar o "Ilusionismo Sonoro", reproduzindo timbres, sons de instrumentos que nos remetem ao do trombone, cello, coral, além dos agudíssimos "over tones", os "harmónicos vocais" utilizados tambem pelos monges do Tibet, República de Tuvá, ou em rituais do Oriente Médio.
Entre estilos contrastantes, afinações distintas, a craviola soa como um apêlo constante à reflexão e confronto do mundo atual e o homem, ora marcado pelas dissonâncias de suas perplexidades individuais, ora comemorando suas alegrias, com melodias mais simples, presentes no homem puro que preserva seus credos, seus rituais que são caracterizados pela música étnica.
STENIO MENDES
Premiado com o troféu Villa-Lobos, em 1981 pela Associação Brasileira de Produtores de Disco, Stenio Mendes, com sua craviola, foi reconhecido pela crítica devido a sofisticada técnica de execução e composições que desenvolveu.
Criada por Paulinho Nogueira, a craviola é transformada por Stenio Mendes em um instrumento de afinação íbrida entre a escala oriental e a ocidental.
Stenio Mendes vem se apresentando nas platéias da Alemanha, EUA, Argentina, Venezuela, Uruguai e Brasil com sua música-ritual que, ao utilizar recursos vocais percussivos extraidos do corpo humano juntamente com a craviola, preenche o espaço com harmônicos vocais, criando a ilusão de estarmos ora diante de um coral, ora de uma orquestra de instrumentos de sopro e percussão.
Também tem atuado em Festivais e Universidades como criador do sistema ludo-pedagógico que utiliza a percussão corporal, recursos vocais e sucatas como elementos de criação musical.
Foi criador da Orquestra Orgânica Performártica da Universidade Livre de Música Tom Jobim em São Paulo, de sucatas e percussão corporal junto a Fernando Barboza, criador do grupo "Barbatuques", que atualmente estão criando um sistema pedagógico para desenvolvimento da musicalidade criativa através dos sons produzidos a partir dos sons corpo humano.
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