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Viola caipira e gaita blues
Por terem as mesmas origens históricas, a música caipira brasileira tem grande semelhança com o blues norte-americano. Expressão de povos interioranos ligados à terra, essas músicas compartilham temas, afinações e até mesmo lendas, como a do pacto entre o violeiro e o "dito cujo". Caminhando paralelas, essas culturas de raízes africanas vêm aproximando instrumentistas em toda as Américas.
Sergio Duarte e Ricardo Vignini já trabalham juntos em parcerias que duram mais de dez anos. Neste show "Sotaque Blues", desenvolvem seus trabalhos com agilidade e cumplicidade, hora a gaita migrando para moda de viola, hora a viola caindo no blues.
Ricardo Vignini, compositor e ex-guitarrista, emprega na viola a experiência acumulada nos dois discos com o grupo Matuto Moderno, além dos conhecimentos adquiridos em pesquisas e estudos sobre cultura popular do sudeste, como folias de reis, congados, catiras, etc.
Revista Guitar Player - Dezembro/2003
Demma K.
O violeiro Ricardo Vignini, um dos integrantes do quinteto Matuto Moderno, trouxe uma abordagem original ao mundo dos intrumentos de cordas. Ele conseguiu unir a pureza do som da viola de dez cordas ao universo eletrificado da guitarra elétrica.
O Matuto Moderno cria fusões rítmicas interessantes em seu segundo CD, Festeiro, como o cateretê progressivo em Caminho das Águas, que traz um compasso quartenário e efeitos do rock progressivo. Outra boa mistura é O Verso, na qual a gaita bluseira de Sérgio Duarte colore uma levada de congada. Já o diálogo entre guitarra e viola de Curva do Rio foi definido pelo quinteto com o bizarro nome de catira revestrés.
O início de carreira de Vignini não foi diferente do de muitos guitarristas. Ele começou a tocar rock e blues, era apaixonado pelo blues de raiz de Skip James, Lonnie Johnson e Robert Johnson. Segundo Vignini, mesmo afinadas de forma diferente, a guitarra e a viola podem ter articulações semelhantes, como palm mute, vibrato, bends e outros recursos. Ter tocado bastante blues em afinações abertas foi algo que o ajudou muito na hora de digitar escalas e usar slide na viola. "Minha maior dificuldade foi colocar a viola em um novo contexto, com efeitos, dividindo frases e arranjos com os outros instrumentos. Toco bem leve quando uso slide, porque a altura das cordas é mais baixa"....

Sérgio Duarte começou sua carreira profissional nos anos 80 e é considerado um dos maiores gaitistas de Blues do Brasil.
Amigo pessoal da lenda viva James Cotton (gaitista americano), já tocou com diversas bandas nacionais e faz parte dos grupos: Sérgio Duarte & Entidade Joe, Nasi e Os Irmãos do Blues.
Também tocou com blueseiros americanos como Peter Mad Cat, Sugar Blue, William Clarke, Buddy Guy, Carey Bell, dentre outros. Em 2002 esteve com Mark Hummel, melhor gaitista americano da atualidade, com quem dividiu o palco, sendo muito elogiado.
Seu trabalho foi amplamente reconhecido e divulgado quando ganhou o festival da MPB da Rede Globo em 2000. Neste ano também lançou seu primeiro álbum solo, distribuído pela Eldorado.
Desde então, em parceria com a Meteoro, desenvolveu novo tipo de amplificador especial para gaitas (sendo o grande destaque da Expo Music 2002), lançou três fitas de video-aula (campeãs em vendas pela Aprenda Música), firmou parceria com a Hohner (fábrica de gaitas alemãs de maior conceito mundial) e EM&T (Escola de Música & Tecnologia) e mantém nesta entidade de ensino seu curso "Master" de gaitas - LEMI (Laboratório de Estudo Musical e de Improvisação) - coordenado por Mozart Mello - onde ensina na prática todos os segredos dos maiores gaitistas do mundo, técnicas, estilos. Mantém sua página na internet com vídeos, mp3 e aulas de gaita com programas exclusivos direcionados a harmônica de boca.
Seu maior sucesso é o evento anual que organiza - Harmônica & Blues Projeto Brasil - onde reúne gaitistas do Brasil inteiro em uma grande convenção nacional, com workshops e shows.
Em uma versão regional, mensalmente reúne gaitistas paulistas em Jam Sessions que promovem o lançamento de novos talentos da gaita. Ali Sérgio Duarte ensina na prática como se portar no palco, com banda e diante do grande público.
Comemorando 10 anos de trabalho com sua banda Entidade Joe, está em fase final de gravação para o lançamento do segundo CD, que conta com a produção de Alexandre Fontanetti e participação de nomes como Nasi (IRA !), Todd Murf nos naipes de metais - trombone baixo e arranjos, Hugo Horry - sax tenor (Karnak), François Trombone e Nahor Gomes Trumpet e traz novas canções da banda e temas instrumentais onde Sérgio Duarte explora seu lado solista, passeando por vários estilos da gaita.

Mingo Jacob - Com sua raiz familiar lá nas terras das Gerais, Mingo Jacob teve seu primeiro contato com a percussão nas batucadas à beira dos campos de futebol de várzea.
Nascido na capital paulista, logicamente caminhou por vários outros estilos musicais, nunca deixando de ter contato com a música de raiz.
Percussionista há 16 anos e com trabalhos realizados com grupos paulistas não só no Brasil mas também na Europa, acompanhou os violeiros Cícero Gonçalves, João Ormond, Bilora e o poeta Costa Senna entre outros.
Professor de música, estudou com o mestre Dinho Gonçalves no conservatório musical Souza Lima.
Em julho de 2003 lançou seu livro "Método Básico de Percussão: Universo Rítmico", pela Editora Vitale. O livro acompanha CD para estudo e pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo. Press-release do livro.
Mingo é endorses da Gope e da Orion.
Sotaque Blues apresentou-se com o multinstrumentista americano Bob Brozman em sua turnê pelo Brasil

Ricardo Vignini, Mingo Jacob, Sergio Duarte e Bob Brozman
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