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Formado por seis integrantes, o grupo Jovens Fandangueiros do Itacuruçá surgiu no início de 2000 na Ilha do Cardoso, litoral sul do Estado de São Paulo.
O fandango característico desta região tem origem imprecisa, porém, segundo a maioria dos estudos, teria sido trazido por colonos açorianos vindos ao Brasil a partir do século XVI. Daí em diante, adquiriu características próprias, de acordo com as particularidades de cada região por onde chegou.
Na faixa litorânea que vai de Iguape (SP) a Paranaguá (PR), o fandango esteve intimamente ligado ao cotidiano da população caiçara, já que funcionava como uma espécie de pagamento aos freqüentes mutirões de plantio, pesca e construção de casas. Especificamente na Ilha do Cardoso, esses costumes sofreram uma série de mudanças no início da década de 1960, com a criação do Parque Estadual que transformou a área numa reserva ambiental, com restrições ao cultivo, caça e extração.
Por muitos anos considerado extinto, o fandango voltou a dar sinais de sua vitalidade na região. Até então mantido por poucos grupos de velhos tocadores, despertou interesse nos jovens da comunidade do Itacuruçá, na Ilha do Cardoso, que por meio da convivência com esses músicos tradicionais tiveram base para dar novo fôlego ao ritmo.
O grupo começou num encontro descompromissado entre Evaristo, 55, e Vadico, 27, os integrantes mais velhos, que tiveram contato maior com o fandango de mutirão e puderam transmitir o conhecimento dos "toques" e "versos" desse ritmo. A possibilidade de recuperar a cultura regional animou Felipe, 21, jovem músico paulistano, que conviveu desde a infância com a comunidade e se empenhou no aprendizado da rabeca, instrumento-chave do fandango.
Com o trio formado por Vadico, voz e viola, Evaristo, voz e cavaquinho, e Felipe, o grupo ficou completo com a entrada de Thiago, 21, no adulfo (pandeiro caiçara), Adriano, 21, na viola, e Aldemir, 24, no surdo. Logo no início, os bailes de fandango eram realizados nas festas típicas das comunidades da Ilha, como a Festa de Santo André, São Pedro e da Tainha. Depois, vieram os convites para apresentações em eventos como o I Encontro de Fandango da Ilha do Cardoso (fevereiro de 2003), III Festa do Mar (junho de 2003), Revelando Vale do Ribeira (junho de 2004) e II Semana do Meio Ambiente da Universidade de São Paulo (agosto de 2004).
O principal incentivo partiu da direção do Parque Estadual da Ilha do Cardoso e da população das comunidades por onde o grupo passou.Nenhum dos integrantes têm a música como principal atividade de renda. A maioria deles vive da pesca tradicional e do turismo, com exceção de Felipe, que atualmente trabalha e mora em São Paulo.


Com Stênio Mendes - SESC Consolação

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