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Petrobrás apresenta

Solos de Viola Caipira - Violeiro Bugre

5° lançamento do selo Folguedo

Cachoeira nasceu em Junqueirópolis e cresceu ouvindo um velho violeiro da região, iniciou sua carreira aos 17 anos tocando nas rádios locais. Sua primeira dupla foi com Tião do Gado, hoje Carreirinho da dupla Carreiro e Carreirinho. Durante 5 anos foi o Pajé da tradicional dupla Cacique e Pajé. Gravou 5 CDs fez muitas apresentações no Programa Viola Minha Viola da Tv Cultura, Festas em Barretos e outros. Exímio violeiro, o artista decidiu seguir como solista, lançando o CD de título "Viola de Ouro" só com composições próprias. Vários CD's de outros artistas tem a viola de Cachoeira. Além de compor, tocar e cantar, Cachoeira é luthier. Faz violas de dez e quinze cordas, rabeca, violão e até harpa. É um artesão de sons. Hoje faz dupla com Cuitelinho.

Clique aqui para ver os Vídeos

Comentários sobre este trabalho

"Cinema é cachoeira!" dizia o grande cineasta mineiro Humberto Mauro. Nada mais próprio lembrar-me disso ao ouvir a viola imagética do Índio Cachoeira, um som que revela paisagens ancestrais e absolutamente presentes na vida cabocla brasileira. Uma viola que soa firme e tranqüila, rítmica, certeira, competente, canora, rindo com alegria, dedilhada com os segredos das mãos do mestre que mostra sua fibra de campeão bem traquejado. Dentro, deve ter guiso de cascavel! De veneno forte.

Reinaldo Volpato, cineasta e corda de viola!

CARTA PARA ÍNDIO CACHOEIRA

Meu caro senhor José Pereira de Souza,

Permita-me que me apresente, meu nome é Ivan Vilela e como o senhor, gosto muito de tocar viola.

Lembro-me de telo visto nos bastidores do programa Viola, Minha Viola já a bastante tempo atrás quando o senhor ainda era da dupla Cacique e Pajé. Lá, quando ouvi o som de sua viola saí procurando pelos camarins tentando descobrir de onde brotavam sons tão cristalinos. Quando o encontrei, não me permiti fazer aquela cachoeira de sons que brotavam de sua viola parar de soar. Assim fiquei quieto naquele momento.

Aquela sua facilidade para tocar, a beleza do som que tirava de seu instrumento acompanhou-me por muito tempo. Eu até comentava com os amigos: “- Ouvi um violeiro tocando que nem anjo deve cantar no céu”.

Tempo passou e meu dileto amigo Ricardo Vignini presenteou-me com um disco da dupla Índio Cachoeira e Cuitelinho. Que beleza. Eu estava há algum tempo sem escutar uma autêntica música sertaneja pelas vozes de uma nova dupla. Apreciei sobremaneira.

Mais tempo se passou e o inquieto do Ricardo, que não pára de produzir novos discos, mandou-me um seu disco, só que agora solo. Moço, o quê que é isso? Os sons pulam certos e precisos da viola aos nossos ouvidos. Uma viola calçada nas raízes, mas que a transcende a cada instante, a todo momento. Suas composições são belas e fortes (forte pra mim é mais importante), os fraseados são bem definidos e felizes. A viola respira. O contraste som-silêncio se manifesta de maneira equilibrada. O que também me impressionou foi o timbre, não o timbre da sua viola, mais o timbre que o senhor tira da viola. Tem um quê de metálico mas que não fere os ouvidos. Permita-me dizer, e isso é um elogio, lembrou-me a maneira como o querido Renato Andrade tirava sons de sua viola, uma mistura de vigor e delicadeza, algo muito difícil de se produzir.

Na medida em que o disco rodava começou a se desenhar na minha frente uma série de paisagens portuguesas. Mais uma vez me perguntei: “- Mas o quê é isso, agora virou guitarra portuguesa; nas construções melódicas, na sonoridade?”

Em suma, senhor José Pereira de Souza, ouvir seu disco me fez acreditar que sempre as raízes se renovarão e que elas são inesgotáveis. Temos vivido uma época de revitalização da nossa violinha, e isso é muito bom! Jovens, velhos, crianças, música sertaneja autêntica, MPB, erudito, roquenrol. Creio que todos os caminhos levam a valorização do instrumento idiomático, ou seja, que se desenvolveu no Brasil a partir de culturas camponesas específicas, qualquer um que toque acabará por chegar, em algum momento, nas raízes. É possível estarmos conectados ás inovações tecnológicas e continuarmos cultuando nossas raízes, creio eu. Progresso pra mim só valerá se for desta maneira.

Sua música renovou minhas esperanças, encheu de novos sons meu espírito e me truxe alegria. Por isso tudo e por tudo mais que o senhor tocará com suas mágicas mãos, eu lhe agradeço, de coração, lhe agradeço.

Deus abençoe e o ilumine sempre.

Aceite uma abraço desse seu admirados.

Ivan Vilela

PS: Quando montarem o seu fã clube eu quero fazer parte da fundação.

PSS: O nome Índio Cachoeira é perfeito: Índio pela força das raízes, pela genuinidade das idéias musicais e Cachoeira que é o que brota cristalina no bojo da sua viola.

Comentário de Woody Mann

Ricardo Vignini, Woody Mann e Indio Cachoeira - foto de Rene Cabrales

Índio Cachoeira tocou dia 26/03/2006 no Santander Cultural com o bluesman americano Woody Mann e o violeiro Ricardo Vignini, aplaudidos de pé.

Cachoeira's music is like the man: real, honest and passionate. When I first heard him play, the music just flowed out of the instrument, easy and alive with the rhythms and melodies of a music tradition that is his home. Listening that first time, from the first note, I was deeply moved by a musician who had lived the music his whole life. I knew I was listening to the real thing and was completely swept up in the music. The beauty and richness went right to my soul. His astounding artistry was lyrical and light and at the same time powerful and deep. The music was just like the man.

To me, like all great music, Cachoeira's artistry is universal and his music is timeless. Ricardo Vignini, one of Brazil's leading Viola Caipira players and record producers, understands that musical traditions are not a thing of the past. It is as vital and contemporary today as it was long ago - taking the music to new exciting and creative places. Thankfully, he is bringing Cachoeira's own creative and innovative music of today to audiences around the world through these truly great recordings. I was honored to have had the opportunity to play music with Cachoeira. It was a humbling experience indeed. What I remember most was the warm feelings and his desire to communicate, improvise, and share his music with me. Truly a thrill and creative experience.

I feel fortunate to have met a true gentleman whose music makes me want to dance and feel happy.

Woody Mann

NYC

INDIO CACHOEIRA, além de ser violeiro de refinada técnica,cantor e compositor inspirado constroe suas próprias violas e também as ferramentas para construir suas violas!!!

É " bão" demais!!!

Passoca

FICHA TÉCNICA SOLOS DE VIOLA CAIPIRA POR ÍNDIO CACHOEIRA, Violeiro Bugre

Produzido por Ricardo Vignini

Gravado e mixado nos estúdios Bojo Elétrico e Música Bacana por Ricardo Vignini entre março e maio de 2006

Masterizado no Estúdio Música Bacana por André Ferraz

Índio Cachoeira, viola caipira em todas as faixas, violão nas faixas 9, 12, harpa na faixa 8, canaã nas faixas 7 e 10 e percussão nas faixas 1, 3, 5, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 14 e 15
Ricardo Vignini, violão nas faixas 2, 5, 6, 9, e viola na faixa 14
Júlio Santin, violão nas faixas 1, 3, 7, 10, 11, 12, 15
Miltom Araújo, baixo nas faixas 1, 2, 3, 7, 10, 11, 13,
Marcelo Berzotti baixo nas faixas 5, 8 e 14
Rodrigo Mattos, viola na faixa 12

Agradecimentos

Equipe da Petrobrás Musical, Secretaria de Cultura de Guarulhos, músicos participantes, equipe da Tratore, Marinéa Mochizuki, Brasil Festeiro, Edson Fontes e Oliveira Fontes,, Wiliam Kobata, Musical Express, Ulisses Matandos, Rita Perran, Cuitelinho, Reinaldo Volpato, Passoca, André Ferraz, Eduardo Gaspar.

Índio Cachoeira utilizou cordas D´addario na gravação desse cd

As violas, a harpa e o canaã utilizado neste cd são de fabricação própria.

4°Lançamento do selo Folguedo
Solos de viola caipira por Índio Cachoeira - Instrumental

Foi uma grande honra ter realizado este trabalho, que eu considero histórico para a viola brasileira. José Pereira de Souza, nascido em 27 de julho de 1952 em Junqueirópolis/SP, é com certeza o melhor violeiro que eu conheci.

A viola caipira, nos últimos 15 anos, tem se mostrado o instrumento de cordas que mais cresce no Brasil, devido ao grande número de violeiros que tem surgido tanto no interior, quanto nos grandes centros urbanos. Ganhou as grandes salas de concerto do mundo, se tornou erudita, foi abraçada até por bandas de rock tendo-a como espada no lugar da guitarra. Mas o repertório de viola instrumental, "caipira de fato", não é tão grande assim, principalmente imprimindo uma identidade única e sincera com os rítmos tradicionais. Acredito que este CD tem uma grande importância neste sentido, pois Índio Cachoeira é um dos maiores conhecedores do gênero em atividade.

Ricardo Vignini
Violeiro e produtor, janeiro de 2007